Levantar-se e Semear Esperança

Entramos na terceira etapa deste plano pastoral centrado na virtude da "esperança". Num movimento centrífugo, partimos do nosso encontro pessoal com Jesus Cristo, para tecer comunidades acolhedoras e motivadas à missão. Só é possível sair em missão assim: através da contínua transformação de cada cristão, que se compromete com a missão da Igreja.

Agora, saímos da comunidade em missão, com alegria, transbordando de esperança. "Como discípulos missionários, devemos entrar decididamente com todas as forças nos processos constantes de renovação missionária, pois, hoje, cada terra e cada dimensão humana são terra de missão à espera do anúncio do Evangelho" (Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa para o Ano Missionário e o Mês Missionário Extraordinário, 5).

Neste triénio pastoral sobre a esperança traçamos uma missão: "A Igreja que está em Braga tem a missão de «ser o fermento de Deus no meio da humanidade, quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo» (EG 114). Queremos «ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho»" (EG 114). (cf. Arquidiocese de Braga, Programa Pastoral 2018/2019, 26-27). É para cumprir esta missão que a Igreja de Braga existe!

E sonhámos uma visão: "Gerar discípulos missionários e comunidades semeadoras de esperança que [...] assumam a inadiável renovação da Arquidiocese, com as suas Paróquias e Comunidades". (cf. Arquidiocese de Braga, Programa Pastoral 2018/2019, 27). É esta a meta que desejamos alcançar!

Um dos obstáculos ao crescimento e amadurecimento da vida espiritual pessoal e comunitária é a tentação em implementar demasiadas alterações programáticas. O crescimento de uma árvore precisa de tempo para criar raízes que lhe permitam sustentar o crescimento do tronco e dos ramos. Depois, mais tarde ou mais cedo, começam a despontar os primeiros frutos.

A missão que traçamos e a visão que sonhamos não se alcançam em nove meses (de Outubro a Junho). Esse é o tempo de um ano pastoral, o mesmo tempo necessária para a gestação de uma vida humana. O bom sucesso continua com o nascimento, os primeiros passos, a infância… até à maturidade. Neste sentido, decidimos continuar a responder ao desafio do Papa Fancisco de "uma renovação eclesial inadiável" (EG 33), permanecendo em "um caminho de Páscoa", dado à luz no último ano pastoral, que parece ser paradigma de novas iniciativas e conversão.

Duas palavras poderão acompanhar-nos: "levantar-se" e "multiplicar". Com o "levantar-se", nas pegadas da Jornada Mundial da Juventude, queremos olhar, de um modo preferencial mas não exclusivo, para o jovens: desafiá-los a sair do comodismo, a acolher o compromisso com Cristo e a missão de testemunhar Cristo vivo. "Ele vive e quer-te vivo" (CV 1)!

Com o "multiplicar" pretendemos fazer com que a árvore com frutos não seja uma só, mas que se manifeste nas comunidades através de grupos que serão, necessariamente, factor multiplicador da esperança.

Neste duplo movimento, com o que estas duas palavras poderão sugerir à criatividade de todos, vamos concretizando a renovação eclesial que continua a ser a meta de todo o agir pastoral.

Talentos e respostas sociais-caritativas

Mensagem de D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, para o Tempo do Advento e Natal 2018/2019

A espiritualidade do Advento e do Natal estrutura-se a partir da vinda do Senhor. Recorda-se a expectativa do Messias, por parte do povo judeu, e a certeza histórica da incarnação de Cristo. Esta esperança fundada impele-nos ao compromisso de anunciar a Sua contínua presença entre nós por meio do testemunho pessoal e da partilha da Palavra. Importa, por isso, colocar-se a caminho em vista à alegria do encontro e a encarar a vida como uma missão. 

Estamos, este ano pastoral, a aprofundar a temática ser esperança que, no âmbito da liturgia, se traduzirá no projecto “Cres’Ser na Esperança”. Temos no horizonte um mundo à procura da verdade e de um sentido para a vida. Cada cristão deve assumir esta missão, de modo inequívoco e transparente, conservando e estimando a Palavra. Em simultâneo, as comunidades paroquiais e movimentos eclesiais terão de abraçar esta causa, activando os seus talentos, únicos e irrepetíveis, para “crescerem na esperança”. Este esforço é feito a pensar sobretudo no mundo e na missão de, em Igreja, propor Cristo.

Em primeiro lugar, e particularmente durante o Advento, devemos ser capazes de avaliar a missão para nos prepararmos convenientemente para o “grande mistério da Incarnação”. As nossas comunidades são demasiado passivas e quase sempre nos limitamos a assistir e a consumir. Bato à porta de cada um para que reconheça que na comunidade há lugar para todos. Há trabalho dentro da comunidade e fora dela. Teremos de sair dos nossos adros e aceitar o mundo como um espaço onde trabalhamos por um mundo melhor. Os ambientes de vida interpelam-nos a mostrarmos que o amor de Deus deve passar pelo testemunho e pela acção dos cristãos. Também aí não basta esperar e cultivar a atitude de crítica dos que nada fazem. Ao mesmo tempo, façamos – como nos recorda o Programa Pastoral – “um inventário atualizado dos talentos das pessoas que participam na vida da comunidade (paroquial)” para, como nos indica este itinerário, sermos “sementes da nossa Esperança”. E porque devemos fugir à monotonia do sempre foi assim, criemos “oportunidades para que todos partilhem os seus dons, sobretudo os jovens”.

Auguro que a caminhada de Advento seja pautada pela serenidade de avaliar. “O que fazemos cumpre a missão de ser fermento de Deus no meio da humanidade? Somos lugar de misericórdia gratuita, onde todos se sentem acolhidos, amados, perdoados e animados a viver segundo a vida boa do Evangelho?”.

Em seguida, é necessário reconhecer os numerosos talentos que cada cristão tem para os exercitar nos diversos campos da missão. Um exercício que se pretende activo e criativo. Cristo nasceu e com Ele veio a aurora de um mundo mais digno para todos. O Natal é movimento e envolve-nos na construção de comunidades vivas para que a sociedade se transforme. Com o nascimento de Cristo, iniciou-se uma nova era e hoje reconhecemos que a evolução da sociedade nos coloca perante os desafios de um mundo novo. É uma tarefa que nos une a todos sob o horizonte da participação. Queremos um modo novo de fazer pastoral e pretendemos que esta seja “de carácter sinodal, um caminho mais participativo, criativo, comunitário, corresponsável e missionário”.

O que posso e devo fazer? O que deve realizar a comunidade na sua vida e na relação com o mundo?

Unido ao Papa, “convido todos [neste Natal] a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades” (E.G. 33). Cada uma destas palavras é uma responsabilidade e o Natal é o momento de ultrapassar a monotonia pastoral e, de um modo renovado, a sairmos dos nossos espaços religiosos para incidirmos na sociedade. Há caminhos novos a percorrer. Há coisas grandes e pequenas a realizar. Da participação activa de cada um nasce uma Igreja renovada e um mundo mais humano.

Na lógica do Programa Pastoral, temos um itinerário concreto, apaixonante e inovador. O Advento e o Natal podem oferecer muitas surpresas. Sei que a avaliação e a participação acontecerão, assim como creio que, em ambiente de oração, as raízes da árvore da esperança crescerão e darão frutos. Com uma participação activa e, sobretudo, criativa permitamos que este Natal gere comunidades acolhedoras e responsáveis pelo futuro de todos.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

Abertura do Ano Pastoral

Mensagem de D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, por ocasião da abertura do Ano Pastoral de 2018/2019

Ser comunidade missionária é a meta principal a que a Arquidiocese se propõe neste Ano Pastoral. Completamos um quinquénio dedicado à identidade cristã e agora habitamos o coração de um triénio pastoral que nos fará tocar a esperança. É um caminho de enorme responsabilidade que ganha forma através do silêncio, obras, persistência e confiança. Queremos, por isso, despertar a esperança tanto nas nossas vidas como nas comunidades cristãs e na sociedade em geral.

Este Programa Pastoral é fruto de um longo tempo de maturação nos diversos Conselhos: Pastoral, Presbiteral e Arciprestal. Tal empenho permitiu que agora todas as comunidades paroquiais programem as suas actividades com solidez e espírito de unidade. A abertura do Ano Pastoral é, por isso, e antes de mais, um sinal concreto de unidade na Arquidiocese mas também um estímulo a que a temática da missão abrace todas as iniciativas das comunidades, departamentos e movimentos. 

A sintonia de espírito é aquilo que dá força à identidade de um Programa Arquidiocesano. Estamos certos que, porventura, cada comunidade teria a capacidade e a criatividade para enveredar por outros caminhos igualmente legítimos. Mesmo reconhecendo essa possibilidade, a dispersão pastoral seria sempre vista pelos cristãos como um inequívoco contra-testemunho eclesial. Para além disso, acolher e concretizar a nível local um programa diocesano não belisca em nada a identidade pastoral de cada paróquia e movimento. Antes pelo contrário. É necessária uma diversidade de iniciativas que traduza a riqueza e a criatividade da inspiração divina.

No ano passado deixamo-nos guiar pela responsabilidade de semear a esperança. Este ano queremos “ser esperança” e tecer comunidades acolhedoras e missionárias. É, por isso, importante concretizar os desafios pastorais apresentados no Programa, sobretudo os seis aspectos elencados na dinâmica Pascal, a passagem da morte à vida. Cada um deles é um tesouro e um estímulo à diversidade pastoral das paróquias e movimentos.

Em Conselho de Arciprestes ficou decido que a abertura do Ano Pastoral deveria acontecer em todas as paróquias no primeiro Domingo de Outubro. Convido, neste sentido, todas as comunidades a acolherem com alegria as exigências deste Programa e a assinalarem convenientemente o arranque do Ano Pastoral.

S. Martinho de Dume, padroeiro secundário da Arquidiocese, renovou a vida da diocese em tempos considerados “novos”, evangelizando sobretudo os suevos. Hoje temos também um mundo novo que não permite que nos instalemos nas coisas do passado. Celebremos o Dia da Diocese com a consciência da missão que Deus confia a cada um.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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